sexta-feira, 23 de março de 2012

Capitulo II


        A manhã ainda estava escura, e o portão da escola estava fechado quando chegou. Sem rodeios apertou o interfone e esperou que fosse alguém o atender. O guardinha veio, com a cara fria e morta de tédio, talvez já cansado do trabalho.
          - Sim? – perguntou.
         - Sou o aluno novo...
        - Pedro, filho do Sanches? – o guardinha completou bocejando no final.
         O menino apenas assentiu e sorriu. Não sabia como, mas alguém além do chefe do escritório conhecia Sanches.
       Deixando essas coisas de lado, entrou e se sentou no refeitório, que parecia bem mais uma lanchonete do Mc Donald’s. Ficou ali, parado. Olhando para os bebedouros velhos e com a lataria embaçada por causa da água gelada. Não demorou muito, ouviu o portão se abrir novamente. Olhou e viu que agora um número maior de estudantes estava entrando. Começou a se sentir inseguro, principalmente porque não sabia nem em que sala ia estudar.
         - Com licença? – uma voz feminina o chamou.
          - Sim?
         - Você é o aluno novo?
         A garota era simples e tinha cara de quem gostava muito de estudar. Pedro assentiu e ela sorriu se sentando ao seu lado.
         - Sou Maria. Estou na sua turma.
         Ele sorriu novamente. Começaram a conversar sobre assuntos que não são pertinentes. Falaram sobre bandas, programas humorísticos e sobre animais – assuntos que todos nós conseguimos manter por um longo tempo.
         Passou-se alguns minutos e alunos de todos os tipos, gêneros, gostos e cabelos começaram a se sentar a sua volta. Todos, ora falando com Maria, ora com Pedro. Perguntavam sobre o assunto intercâmbio, música e piadas. Não mudava muito. E o que mais assustava Pedro era uma coisa:
         _ E aí Pedro...? – um garoto chamado Carlos perguntou. – Como o seu Sanches está?
         Sim. Todos conheciam o pai de Pedro. Parecia que ele era algum tipo de celebridade. Pedro só conseguia responder as perguntas, sem fazer outras. A turma era animada e logo ele já estava sendo tratado como qualquer um – não que ele não gostasse.
        Começaram a puxar assunto sobre as férias. Alguns haviam se encontrado bastante – marcando um fut com os amigos, boliche ou até mesmo passar a tarde no shopping. Pedro apenas ficava observando. Prestava atenção no que os garotos falavam e depois olhava para outro grupinho e assim se passou os 15 minutos mais demorados da vida dele.
         O sinal soou e ele foi atrás de uns garotos que gritavam e diziam coisas sem sentido. Ele só sabia o nome do mais simpático, e também o mais tagarela – Felipe. Ele já estava começando a achar que isso era do mau nome, já que na sua antiga escola também conhecia um Philip que não parava de falar um minuto, parecia mais uma metralhadora de bobagens.
        - Cara, pode sentar aqui. Nosso canto é igual coração de mão...
         - Cala a boca Felipe. – um dos amigos gritou.
         Pedro se sentou, meio desconfortável. Mas agradeceu por estar ali, e não solitário no meio da sala, com todos o olhando. Estava começando a notar que ia ser mais fácil ele se enturmar do que esperava. Não que ele tivesse problemas, afinal ele nunca teve problemas. Diferente de Felipe,que é outro exemplo que nós podemos usar de pessoas comuns aqui.
       Felipe estava tendo que enfrentar a separação de seus pais e ainda não sabia o que ele decidiria no tribunal – se teria de ficar com a mãe ou com o pai. Ele extravasava todos os seus problemas rindo e tagarelando sobre tudo e todos. Morava em uma casa boa, em um bairro nobre, mas agora estava tendo que dividir um flat com a mãe até que as coisas se ajeitassem. Passava os fins de semana na casa da avó.
        O engraçado é que a sua família já estava toda adequada a justiça, mesmo que o divórcio ainda não estivesse fechado, selado e sacramentado. Mas ele não queria que fosse tudo daquele jeito. queria que tudo fosse como era antes: o pai chegando do trabalho e o levando, juntamente com a mãe, para o shopping ou para alguma coisa como teatro, boliche, o que fosse. Mas não era assim.


escrito por Jéssica Mayra

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